Trabalhador Ambulante Senegalês Morto pela Policia Militar

No dia 11 de abril, no bairro do Brás, região comercial mais movimentada no centro de São Paulo (SP). O imigrante senegalês que trabalhava como vendedor ambulante foi forçado a entregar suas mercadorias enquanto atravessava o setor com a sua carga em fardo fechado, num ato deliberado de má fé, já que pelas imagens resgatadas, o jovem trabalhador nem sequer estava comercializando, e sim transportando, provavelmente a sua única fonte de sustento.

A pesar dos protestos e súplicas de transeuntes e comerciantes do entorno, o numeroso grupo de agentes estava focado em capturar o fardo fechado do jovem Ngange Mbaye, quem em meio das tenções e da impotência, e com uma coragem singular defendeu o carrinho que transportava os seus produtos se colocando como um escudo entre a sua fonte de sustento e as armas dos agentes uniformados.

Transcrições do fatídico evento até o seu triste desenlace.

Um vídeo divulgado pela Rede Record revela uma cena profundamente angustiante: pelo menos oito policiais cercam de maneira agressiva o trabalhador ambulante Mbaye, com o objetivo de apreender sua mercadoria. Em desespero, ele tenta proteger o que é seu, puxando o carrinho com os produtos que vendia para sobreviver. Mas, em vez de diálogo ou respeito, o que se segue é uma série de agressões violentas. Mbaye é cercado e agredido com cassetetes por vários dos agentes. Tentando se defender, ele reage com uma barra de ferro e tenta fugir. É então que um dos policiais dispara contra ele — um trabalhador negro, imigrante, apenas tentando viver.

A cena gerou indignação e provocou uma manifestação espontânea de ambulantes na região, que foi prontamente reprimida com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. A presença da Tropa de Choque tornou o ambiente ainda mais tenso e violento, intensificando o clima de medo e revolta.

“O Brasil tem uma dívida histórica com a população africana, construída com sangue, apagamento e exploração”, lembra, com firmeza e dor, o representante da Federação Alkebulan em Brasília. “É nossa responsabilidade cobrar justiça e reparação.”

O jovem imigrante e trabalhador senegalês foi socorrido e levado de ambulância até o hospital Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu.

Esta tragédia deixa de luto à família de Ngange Mbaye, aos amigos, à comunidade senegalesa, aos brasileiros do bem e imigrantes neste generoso país.

Com certeza viram protestos, e reivindicações pelo uso abusivo e injusto da força por parte dos agentes da Polícia. Mas o que realmente interessa é:

  1. Não esquecer de Ngange Mbaye, que veio desde outro continente fazendo um grande sacrifício, com o único proposito de viver uma vida de trabalho honesto e em paz, e escapando de eventos violentos na sua própria terra, para encontrar a morte nas mãos de aqueles que tinham que lhe proteger como mais um cidadão.
  2. Trabalhar e apoiar às ONG’s como Okoier que trabalham por dignificar, educar e tirar do trabalho informal a cada um dos mais de 700,000 imigrantes que não se encontram inseridos no mercado de trabalho. Evitando assim que estejam expostos à perseguição que experimentou Ngange, e experimentam diariamente os trabalhadores informais nas grandes cidades.
  3. E como eu mesmo falo desde o meu livro, “…os imigrantes não somos invisíveis, não somos um número, somos seres humanos buscando um lugar ao sol, e as nossas vidas são vidas de guerreiros e lutadores que no merecem, de forma nenhuma, cair no esquecimento”.

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